Encontros: Prt. I

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Katharine tinha ido embora depois de uma mensagem aparentemente urgente de Jake, e Luce se viu sozinha na cozinha de novo. Não totalmente, afinal o rosto em seu bloco de desenho a encarava de maneira sugestiva e inquisitória, com a cicatriz a incomodando, não só ela, todo o desenho a incomodava de maneira estranha, fazendo o seu estômago girar. Não queria pensar sobre isso, ao menos não agora, pensar acabaria enlouquecendo-a aos poucos.
Não podia ficar em casa parada, a ideia de ficar só a assombrava. Subiu as escadas da cozinha que davam direto no corredor dos quartos e seguiu para o dela, vestiu-se com uma camiseta, uma calça moletom cinza, calçou um tênis de corrida. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo que ia até a sua cintura e desceu. Ela precisava de um pouco mais de endorfina correndo por suas veias, se ficasse parada iria acabar enlouquecendo. A playlist do Linkin Park tocava no ultimo volume nos fones de ouvido do Iphone quando chegou a alameda á dois quarteirões ao norte. Foi então que o sentiu voltar, a sensação de entorpecimento, a ânsia invadiu o seu estômago dolorosamente como se tivesse levado um soco na barriga, fazendo-a curvar-se sobre os seus joelhos procurando apoio. Tudo ao seu redor girou, a respiração ficou presa em sua garganta. Lucinda mal havia percebido que tinha parado no meio da rua e tampouco percebeu o carro que se aproximava rapidamente de onde estava. O calafrio subiu rastejando por sua espinha, paralisando seu corpo onde ela estava. Foi quando viu, entorpecida, o carro dar um cavalo de pau que deixou marcas no asfalto e parar de modo brusco do lado do meio fio. Uma dor subiu por sua perna e quando deu por si estava inalando rápido demais a poeira do chão colado no seu rosto.
A porta do motorista se abriu, e seu dono voou para o lado da menina tentando ajuda-la a se sentar, a respiração faltando em seus pulmões enquanto ela o olhava. Pareceu que o seu desenho havia ganhado vida e tomado forma bem na sua frente, com a mesma expressão fria e olhar cinza do grafite do lápis na folha em branco do seu bloco. Era ele, a menina não sabia como isso poderia ser no mínimo possível mais era ele, o mesmo rosto do desenho. Os cabelos negros quase azulados faziam contraste com a pele branca, os olhos de um cinza que a se fez lembrar o céu acima do mar quando se previa tempestade de tão cinzas que eram. Sua expressão era fria, seus olhos gélidos sobre os dela e mesmo assim, de uma maneira que chacoalhou qualquer coisa em seu estomago, Lucinda viu um tipo de surpresa neles. Como se fosse impossível o fato dela estar ali, provavelmente do mesmo modo como ela o devia estar olhando agora. O menino deslizou a mão até o tornozelo esquerdo dela e apertou com força, Luce o puxou quando a dor que galgou pela perna quase imediatamente enquanto ele unia as sobrancelhas negras.

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