Sonhos: Parte Final

– Como ele ousa fazer isso com você? – ela perguntou, agora com uma espécie de revolta.
– Ele é um idiota. – disse a menina com um pouco de presunção
– Exato. – disse ela catando o bloco de desenhos do canto da mesa e começando a folhear as páginas, analisando os desenhos que já tinham sido feito. Um pássaro, um retrato do rosto de Melina, da vista do mar do precipício de Santa Mônica, da Igreja em destroços, uma pena negra, um retrato do próprio rosto da loura inquisitória até que ela chegou ao retrato do menino de olhar cinza grafite.
– Você é muito boa. – disse ela meio absorta, Luce não queria prestar atenção no último desenho, Cat o olhou e arregalou os olhos por um milésimo de segundo e depois piscou, como se conhecesse o rosto que havia sido desenhado, ou talvez Luce tenha imaginado isso. – Quem é esse? – perguntou tentando disfarçar, ou mais uma vez Luce poderia ter imaginado o tom de voz.
– Acreditaria se eu te dissesse que não faço à mínima? – disse encolhendo-se na cadeira.
– É perfeito, Luce. Muito detalhado.
“Detalhado?!” – a palavra se repetiu na cabeça da menina quando ela tomou o bloco das mãos da loura e analisou o desenho do rosto que ela havia visto em sua mente do nada, procurando por qualquer coisa que não tinha visto antes. Além do fato de que ele parecia estar olhando diretamente para ela, ele tinha um risco muito mais forte que a pele no canto esquerdo do lábio superior do desenho, como uma cicatriz.
– Eles são lindos, Luce.
– Obrigada. – murmurou a menina ainda meio intrigada e visivelmente incomodada com a cicatriz que havia surgido quase que do nada no lábio superior esquerdo do seu desenho. Houve quase que uma necessidade de mudar de assunto. – E quanto a você e o Jake? Como foi o baile?
Foi uma das poucas vezes em que Luce presenciou Cat ficar vermelha. Isso era novidade afinal. Katharine era uma loura arrogante e completamente irônica quando queria, nunca com Luce é claro, e parecia realmente gostar do Jacob. A menina sempre soube disso antes mesmo dela lhe falar sobre a preferencia um tanto rara – ela sempre sabia disso também e se assustava quando os casais que via como sendo “feitos um para o outro” dando certo. E era engraçado – ou no mínimo estranho – porque Jacob era como um antidoto a arrogância da menina loura, e Lucinda sempre soube que ele sempre gostara dela desde que pôs os pés no Eligius. Depois que o rubor da loura invasiva passou, ela finalmente falou sem jeito:
– Ah, foi bom. – Cat realmente parecia estar feliz.
– E…? Conta isso direito, Cat! – exigiu Luce.
– Ele… me pediu… em namoro.
“Oh bem! Ao menos uma boa notícia.” – pensou, depois de tudo o que aconteceu ontem á noite.
– E você aceitou, não foi?
– Sim. – a loirinha disse baixinho. – Mas e agora e então, Lucinda? Você vai voltar ao Eligius depois de seu histórico de bailes?
Luce prendeu o interior da boca entre os dentes. “Era necessário lembrar, Katharine?”
– Hm, é tenho biologia e teste de vôlei. Então…
– Isso é um sim então?
– É isso é um sim.

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