Sonhos: Parte VI

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Luce tentou em vão desembaraçar os cabelos, mas eles não cederam facilmente e ela desistiu prendendo-os em um coque solto, vestiu-se, catou o vestido de renda que ainda jazia perfeitamente no chão perto da porta do banheiro e desceu para a cozinha, jogando o vestido no cesto de roupas na área de serviços. Charlie não estava em casa, antes mesmo de descer ela havia procurado sua presença pela casa e não a encontrara em canto nenhum. Tinha isso também, Lucinda sempre sabia quando estava ou não sozinha, sentia presenças das pessoas, quanto mais familiarizada com a pessoa mais fácil era de senti-la. Melina sempre a acusou de roubar nos jogos de pique-esconde, um sorriso brotou no rosto de Luce. Caminhou até a geladeira e havia um aviso do Charlie colado com um imã, ele fora chamado de imediato e com urgência no Hospital Geral San Vincent Medley e não voltaria para o jantar. Luce havia terminado de comer um sanduíche e quando decidiu ocupar a mente – e corpo – pondo ordem na casa, decidindo começar pela cozinha. Iria enlouquecer se ficasse tentando raciocinar sobre os sonhos da noite e principalmente sobre o misterioso desenho que tomava conta de uma das folhas do seu bloco de desenho.
A máquina secadora trabalhava ruidosamente quando ela terminou de passar pano nos móveis da sala, demorou a manhã inteira e parte da tarde antes que terminasse totalmente a faxina da casa Willians. Voltou ao quarto e catou o bloco de desenho do chão e o exemplar de Romeu e Julieta da estante de livros e desceu para a cozinha novamente, lançando os pertences sobre o balcão de mármore negro. O bloco ainda estava aberto na página exata onde o desenho do garoto a encarava com ar inquisidor, e o tão conhecido arrepio voltou a escalar lentamente a sua espinha junto com a sensação de que ela conhecia de algum lugar e tempo distantes. Voltou a lançar o bloco de lado e pegou a famosa tragédia do Bardo, já estava no último ato quando a campainha soou impaciente e menos de um segundo depois o celular vibrou com uma nova mensagem de texto.

“Abre logo essa porta, Cavendish!”
Ass.: Katharine.

Uma autoritária como sempre, pensou Luce antes de ir abrir a porta para a loura impaciente. Desde que ela se mudou para a cidade com o pai e a irmã e ela para o Eligius uma das poucas pessoas que se aproximara dela fora Katharine Biel Belly, Cat como ela exigira ser chamada, e depois da morte de Melina, as pessoas que já não se aproximavam da novata estranha, ficou muito pior.

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