Sonhos: Parte IV

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Lucinda voltou a olhar o relógio anacrônico com a luz vermelha piscando 04hrs45min. Nem se ela realmente quisesse voltaria a dormir depois daquela loucura, os sonhos e da conversa com o pai. As lembranças sujas com sangue e embaçadas com água e principalmente pela dor voltaram a correr pela mente absorta da menina, ela não estava louca como todos, até mesmo o pai, achavam que ela estava. Lucinda sabia o que ela havia visto, e ela viu o menino descer da moto e golpear o peito de sua irmã com uma adaga. Ela conseguiu ver o sorriso de prazer em seu rosto ao fazer isso, ela sabia porque ele a tocara antes de assassinar Melina. E Luce o culpava pela morte da irmã, por seus quase três meses de um coma que ela achou que não acordaria. Sacudiu a cabeça, não queria se lembrar, o estômago revirou confirmando isso. Catou um bloco de desenhos em uma das gavetas do criado-mudo, um lápis e destrancou a janela, subindo ao telhado. Ela escalou a trilha de trepadeiras que iam até o telhado e sentou-se olhando o céu começando a se pintar de laranja e rosado e dourado, Luce sorriu, abrindo os braços em direção ao sol que surgia com seus primeiros raios. Sempre fazia isso mesmo sem ter ideia do porque, simplesmente gostava de ver o sol do amanhecer ou sentar-se de madrugada pra ver a vastidão do céu acima dela, ela sentia como se olhá-lo renovasse todas as suas forças, fazia bem. Melina sempre lhe dizia que era por que Luce tinha uma ligação com a imensidão celeste, que ela pertencia a isso de alguma maneira, ate mesmo Luce achava que era loucura e ela sempre dava risada. O sol já estava quase por todo no céu, dispersando as nuvens pesadas da noite quando Luce começou a desenhar, um rosto não familiar começando a surgir na folha em branco. Ela acabou desenhando o rosto de um menino, um menino que a fez virar a cara para o seu olhar cor da ponta grafite do seu lápis de modo inquisitório. Lucinda não entendeu muito bem porque o havia desenhado se nem mesmo ela o conhecia, como ele viera parar em seu bloco de desenhos? Ela voltou a olhá-lo, a sensação de conhecer seu rosto rastejando pela sua mente como uma fumaça densa, como um nevoeiro da cor de seus olhos cinza. Ele a me olhava de volta, de uma maneira que embrulhou o seu estomago, revirando-o. Lucinda não fazia a mínima ideia de onde o conhecia, nem estava com ânimo de tentar lembrar.

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