Sonhos: Parte III

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Luce acordou em seu quarto ainda escuro praticamente saltando sentanda na cama, uma gota fria de suor escorreu por suas costas enquanto ela procurava desesperadamente acalmar a respiração. Se passaram três minutos ates que percebesse a presença de Charlie aos pés da sua cama a olhando com uma expressão estranha. Um suspiro escapou por entre seus dentes, olhou o mostrador do relógio, marcava 04hrs00 min.
– Eu pensei que… essas crises… tivessem acabado. – ouviu Charlie comentar enquanto sentava na beira da cama. Outra gota de suor escorreu por sua nuca abaixo trazendo um arrepio leve junto.
– Eu também. – murmurou lutando contra as lágrimas que insistiam em vir mesmo contra a vontade. Charlie lhe lançou um olhar atento, Luce conhecia muito bem aquele olhar, era o mesmo que ele lhe dera quando aquilo tudo começou, era o mesmo que dera quando ele deu a notícia que Melina havia morrido no acidente quando ela acordara milagrosamente do coma se perguntando loucamente pela irmã e fora o mesmo que dera quando decidira que a empurraria de encontro aos consultórios de psiquiatras, psicólogos e consequentemente á remédios tarja preta contra delírios pós traumáticos.
– Lucinda… você não acha melhor que volte as consultas com a Dra. Sara? – Luce o olhou sentindo suas sobrancelhas se arquearem de surpresa. O não que ecoou na mente da menina foi mais alto que se ela realmente o houvesse gritado para ele. Consultas levavam a psicólogos que a levariam a remédios e tudo isso levaria a pensarem que ela era realmente louca ou algo muito parecido com isso. Além do mais Lucinda sabia exatamente o que a Doutora iria dizer: “Somente uma crise de perda recente, nada que não passe com um internamento ou boas doses de dopantes com a tarja preta de preferência. Aceita um café?” E ela quase sorriu com esse pensamento, depois que acordara do coma de dois meses ela praticamente vivera a base de dopantes contra alucinações pós-traumáticas por quase um ano, além disso sempre achou que a Dra. Sara só prescrevia tantos remédios aos seus paciente porque ela mesma não podia toma-los.
– Eu acho melhor você… – Charlie continuou com a voz baixa.
– Eu acho melhor não, não agora papai.
– Mas Luce é para o seu bem, querida. – Essa era a desculpa, sempre era para o seu próprio bem. Afinal uma lunática que acreditava que a irmã fora assassinada ao invés de ter morrido por conta de uma lesão no tórax que levava a um furo nos pulmões, só poderia ser mantida a base de calmantes.
– Pai?! – ela praticamente gritou, voltar ao hospital San Vincent não era uma opção. Luce não voltaria. – Se voltar a acontecer… voltamos a conversar sobre isso, o.k.? – Charlie franziu o cenho, depois lhe deu um olhar cansado, tanto quanto a própria Lucinda, Charlie sabia que ela não voltaria ás consultas, não depois de tudo que aconteceu para que ela “voltasse” ao normal depois que saiu de um. Depois de um minuto ele assentiu e saiu do quarto, Luce suspirou e colocou as palmas nas têmporas.

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